Essa semana fiquei sabendo de uma situação que a princípio não achei que fosse possível. Uma pessoa cujo filho, em idade escolar, reclamava de dores de cabeça e que não conseguia enxergar o que estava escrito na lousa. A conclusão do professor foi lógica, deveria passar por um exame de vista. Ao buscar o sistema público de saúde, da rede municipal, foi informado que as consultas estavam sendo agendadas para daqui a UM ANO. Isso mesmo, para outubro de 2011! Incrédulo, fiz alguns contatos para confirmar essa questão e ouvi de uma funcionária que esse era um caso específico, mas que consultas para especialidades teriam uma fila de média de três meses. Haveria dificuldades também com relação a exames laboratoriais básicos, já que o município teria “estourado sua quota”. Como poderia ser possível uma situação como essa?
O questionamento imediato é: qual a causa para esse estado de coisas? Falta dinheiro? Não é o que parece quando se analisa o orçamento destinado à Secretaria da Saúde para 2010 em comparação ao ano passado. Houve um aumento de mais de R$2.500.000,00 passando de pouco mais de R$ 31.400.000,00 em 2009 para mais de R$ 33.900.000,00 para 2010! Portanto não houve corte de verbas...
Nem era para ter havido já que nenhuma nova unidade de atendimento foi aberta nesse ano. Ao contrário, segundo consta, as unidades têm atendido com uma carga horária até menor.
Faltam médicos na rede pública? Aparentemente não. Falta apenas organização.
Agora, se você está achando essa história absurda, prepare-se: pouca gente sabe mas Assis tem uma Lei Municipal, de nº 4607/2005 a qual determina expressamente em seu artigo 1º. que “Todas as consultas médicas especializadas em Estabelecimentos de Saúde da Rede Pública ou conveniada deverão ser agendadas e atendidas no prazo máximo de trinta dias.” O prazo é o mesmo para a realização de exames assim como as internações devem ocorrer imediatamente quando encaminhadas.
E você sabe o que é pior? É, ao contrário do que disse o palhaço campeão de votos, pode ficar pior sim! O incompreensível nessa coisa toda é que um dos autores da tal Lei que vem sendo descumprida é exatamente o vereador licenciado e atual Secretário da Saúde, o Dr. Eduardo de Camargo Neto!
É simplesmente inaceitável que isso venha a ocorrer. E nessa altura do campeonato justificar a ineficiência com a velha tese da “herança maldita” é no mínimo falta de argumentos.
Se a administração como um todo não pode ficar estagnada, a Saúde em particular é área de prioridade máxima.
Que falte dinheiro para tapar os buracos ou concluir obras é até compreensível, ainda que apenas em situações extremas, mas levar a Saúde à tal condição de indigência é motivo para ampla indignação.
Ainda mais quando sabemos que o Chefe do Executivo Municipal é da área médica. Bom, mas isso é outra história. É isso aí!












